Integração regional em cidades gêmeas: turismo nas fronteiras

A trí­plice fron­teira for­mada por Bra­sil (BR), Para­guai (PY) e Argen­tina (AR) não é ape­nas uma união de limi­tes terri­to­riais e polí­ti­cos, é tam­bém um espaço dinâ­mico de relações diver­sas. Con­si­de­ra­mos o fluxo de visi­tan­tes dos gran­des atra­ti­vos ali exis­ten­tes, nomea­da­mente: Par­que Nacio­nal do Iguaçu, Par­que Nacio­nal del Iguazú e Itaipu Binacional.

Carac­te­rís­ti­cas dos atra­ti­vos turísticos

O turismo nas áreas fron­tei­riças, sobre­tudo aque­les atra­ti­vos abaixo, envol­vem relações deco­rren­tes de inter­ações sociais que oco­rrem entre os ato­res sociais des­sas áreas, podendo estar arti­cu­la­dos por meio de dife­ren­tes níveis socio­po­lí­ti­cos (fede­ral, esta­dual, muni­ci­pal e de repre­sen­ta­ti­vi­dade da socie­dade civil – com as res­pec­ti­vas equi­va­lên­cias em paí­ses vizin­hos) e com grande poten­cial de se efe­ti­var em cida­des gêmeas.

Em se tra­tando mais espe­ci­fi­ca­mente das carac­te­rís­ti­cas das cida­des de fron­teira, esses espaços apre­sen­tam um cará­ter ambí­guo, pois ao mesmo tempo que deli­mi­tam terri­tó­rios dis­tin­tos, per­mi­tem tam­bém o vínculo e o con­tato cons­tante entre as popu­lações, em maior ou menor grau.

Par­que Nacio­nal do Iguaçu

A área das Cata­ra­tas do Iguaçu é um con­junto de cerca de 275 que­das de água no rio Iguaçu, área loca­li­zada entre o Par­que Nacio­nal do Iguaçu, no Paraná, Bra­sil, e o Par­que Nacio­nal Iguazú, em Misio­nes, Argen­tina, fron­teira entre os dois paí­ses. As áreas de ambos os par­ques nacio­nais são con­tí­nuas entre si e, soma­das, tota­li­zam de 250 mil hec­ta­res de flo­resta subtropical.

Em 2015, o número de visi­tan­tes no Par­que Nacio­nal do Iguaçu foi de 1.642.093, de 172 nacio­na­li­da­des. Essa visi­tação é a maior já regis­trada na uni­dade de con­ser­vação. Os bra­si­lei­ros lide­ram o ran­king, com 916.995 visi­tan­tes. Na sequên­cia dos paí­ses com mais repre­sen­ta­ti­vi­dade vem, pela ordem, Argen­tina, Para­guai, Esta­dos Uni­dos, Fra­nça, Ale­manha, Espanha, Ingla­te­rra, Peru e Japão.

Ruí­nas Jesuíticas

A comu­ni­dade mis­sio­neira busca no turismo uma alter­na­tiva para a mel­ho­ria da qua­li­dade de vida de sua popu­lação, pois acre­dita que a ati­vi­dade turís­tica pode ser um ins­tru­mento efi­caz de cres­ci­mento socio­eco­nô­mico, podendo tam­bém con­tri­buir para a pre­ser­vação dos sítios arqueo­ló­gi­cos que inte­gram o con­junto patri­mo­nial regio­nal. Assim, nas últi­mas déca­das foram cria­dos pro­gra­mas e pro­je­tos em prol do desen­vol­vi­mento do turismo regio­nal, todos eles obje­ti­vando res­ga­tar as obras rea­li­za­das pelos jesuítas-guarani, divul­gar a his­tó­ria das Mis­sões, con­so­li­dar a região como um Polo Turís­tico Inter­na­cio­nal e, prin­ci­pal­mente, con­tri­buir para o desen­vol­vi­mento e inte­gração regional.

Itaipu Bina­cio­nal

Sobre a pro­ce­dên­cia dos visi­tan­tes da Itaipu, desde o início das visi­tações, em 1977, constata-se que os bra­si­lei­ros, os argen­ti­nos e os para­guaios são a maio­ria, com 49, 21 e 15 por cento, res­pec­ti­va­mente. Isso se deve, além da pro­xi­mi­dade, a uma ini­cia­tiva de preços dife­ren­cia­dos aos vizin­hos fron­tei­riços. Tal medida tem sido aspecto favo­rá­vel para uma inte­gração entre esses povos, irma­na­dos não somente pela cul­tura latino-americana, mas tam­bém por laços for­tes de ser­viços afe­ri­dos pelo turismo.

2017_0071 Figura 2Um grande poten­cial para trans­for­mar o território

A orga­ni­zação da estru­tura socio­es­pa­cial na zona de fron­teira entre Bra­sil, Para­guai e Argen­tina abriga espaços con­tí­guos, mas as popu­lações vivem em reali­da­des dis­tin­tas, dis­ti­nções oriun­das de um pro­cesso his­tó­rico dife­ren­cial de evo­lução das três sociedades.

A Itaipu é um “divi­sor de águas” na his­tó­ria do desen­vol­vi­mento urbano des­ses muni­cí­pios, pois pro­mo­veu sig­ni­fi­ca­ti­vas alte­rações sob o ponto de vista urbano e eco­nô­mico, impli­cando trans­for­mações espa­ciais e con­fi­gu­rando na região uma nova reali­dade sob um novo cená­rio pelo incen­tivo da ati­vi­dade turís­tica como forma de pro­dução desse espaço.

Além da Itaipu, as Cata­ra­tas do Iguaçu e do Iguazú, como tam­bém as Ruí­nas Jesuí­ti­cas, desem­pen­ham impor­tante poten­cial de desen­vol­vi­mento turís­tico para os três paí­ses: Bra­sil, Para­guai e Argen­tina. Há, porém, entra­ves que têm difi­cul­tado um alcance de mel­hor apro­vei­ta­mento, pois se fazem neces­sá­rios acor­dos supra­na­cio­nais para que essa região, cujos terri­tó­rios turís­ti­cos estão em áreas con­tí­guas, ten­ham pro­gra­mas e/ou polí­ti­cas inte­gra­do­ras.

Todos os atra­ti­vos patri­mo­niais, bem geri­dos, podem trans­for­mar o terri­tó­rio onde está inse­rido. A inte­gração regio­nal nessa trí­plice fron­teira em parte já é uma reali­dade. O turismo que envolve os três paí­ses atrai ser­viços que pola­ri­zam ações em prol do desen­vol­vi­mento de todos. A implan­tação de uma polí­tica de inte­gração não resol­verá tudo, mas ate­nua debi­li­da­des admi­nis­tra­ti­vas, finan­cei­ras, téc­ni­cas, eco­nô­mi­cas, redução de cus­tos e hábi­tos de ações e polí­ti­cas comuns ao invés das individualistas.

O turismo poderá ser um vetor impor­tante para o desen­vol­vi­mento eco­nô­mico na pers­pec­tiva de que o mesmo se posi­cione como uma ati­vi­dade cen­tral para um pla­ne­ja­mento trans­fron­tei­riço, inte­grado e regio­na­li­zado em nível supra­na­cio­nal, alca­nçando um novo grau de ins­ti­tu­cio­na­li­zação e cooperação.

Os atra­ti­vos turís­ti­cos apre­sen­ta­dos ao longo do artigo são uma demons­tração de inte­gração pos­sí­vel de serem con­so­li­da­dos entre os três paí­ses e as cida­des gêmeas são o locus pri­vi­le­giado para pro­mo­ver a coope­ração inter­na­cio­nal e o desen­vol­vi­mento regio­nal. No bojo do desen­vol­vi­mento regio­nal, evi­den­ciado no número de turis­tas que os visi­tam, faz-se neces­sá­rio um pla­ne­ja­mento inte­grado de desen­vol­vi­mento para que todos os recur­sos sejam oti­mi­za­dos e mel­hor aproveitados.

O fator pla­ne­ja­mento é a pers­pec­tiva de uma equi­dade polí­tica de Estado entre os três paí­ses, que se esta­be­lece em uma nova lógica de inter­fe­rir nos terri­tó­rios turís­ti­cos. Os inves­ti­men­tos ala­van­ca­dos pode­rão ser apli­ca­dos em infra­es­tru­tura e ser­viços, asse­gu­rando mais qua­li­dade na oferta turística.

As cida­des gêmeas se tor­nam um caso espe­cí­fico de estudo, onde mesmo não tendo um governo comum, as relações de vizin­ha­nça e com­ple­men­ta­ri­dade fazem com que reações em diver­sos seto­res que oco­rrem em uma cidade, impac­tem de certa maneira a outra, vizinha, e vice versa. A relação de vizin­ha­nça tem con­tri­buído natu­ral­mente para a troca, para oin­ter­câm­bio de infor­mações e cul­tu­ras, com pos­sí­veis influên­cias no espaço urbano. Por­tanto, é impor­tante um Pla­ne­ja­mento Urbano e Regio­nal com polí­ti­cas públi­cas mais espe­cí­fi­cas para as cida­des de fron­teira, região for­mada pelo nacio­nal e inter­na­cio­nal, mas que pos­sui uma iden­ti­dade local única.

Para maio­res infor­mações:

SOUZA, Edson Belo Cle­mente de. O turismo como inte­gra­dor regio­nal em cida­des tri­gê­meas: Foz do Iguaçu (Bra­sil), Ciu­dad del Este (Para­guai) e Puerto Iguazú (Argen­tina). Revista Cua­der­nos de Geo­gra­fìa, 2017,v. 26, p. 355–371.

Edson Belo Cle­mente de Souza é pro­fes­sor do Pro­grama de Pós-Graduação em Geo­gra­fia, Uni­ver­si­dade Esta­dual de Ponta Grossa (Estado do Paraná – Brasil).

Ficha biblio­grá­fica:

SOUZA, Edson Belo Cle­mente de. Inte­gração regio­nal em cida­des gêmeas: turismo nas fron­tei­ras. Geo­cri­tiQ. 10 de noviem­bre de 2017, nº 347. [ISSN: 2385–5096]. <http://www.geocritiq.com/2017/11/integracao-regional-em-cidades-gemeas-turismo-nas-fronteiras>.

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Cuando es preciso ejercer la ciudadanía desde la argumentación educativa

En el ámbito edu­ca­tivo uno de los deba­tes que apa­re­cen en las reunio­nes del pro­fe­so­rado, en espe­cial en cien­cias socia­les, geo­gra­fía e his­to­ria, es la posi­bi­li­dad, o no, de rea­li­zar una edu­ca­ción polí­tica en las aulas del sis­tema esco­lar básico. Los que enten­de­mos que la edu­ca­ción forma parte de la vida polí­tica y es, ade­más, una cien­cia social, siem­pre hemos decla­rado la nece­si­dad de con­tri­buir a la con­vi­ven­cia ciu­da­dana desde la edu­ca­ción polí­tica. Por eso nos hemos mani­fes­tado con­tra la ense­ñanza de la ciu­da­da­nía en inglés en Valen­cia o con­tra la supre­sión de esta mate­ria, cuando se pre­ten­día que fuera una alter­na­tiva a la ense­ñanza de la religión.

Ahora, con el pro­blema de Cata­lunya, es más patente la nece­si­dad de una edu­ca­ción ciu­da­dana, que sin duda debe superar los lími­tes de las aulas y cen­tros esco­la­res para alcan­zar un espa­cio público. Para ello es pre­ciso recu­pe­rar el poder expli­ca­tivo de la geo­gra­fía e his­to­ria y bus­car en los datos empí­ri­cos la fuerza de la argumentación.

El “pro­blema” cata­lán nace de la pugna por impo­ner legal­mente una iden­ti­dad terri­to­rial desde un plan­tea­miento pro­pio del espa­cio vivido. Las emo­cio­nes y sen­ti­mien­tos que apa­re­cen cuando te menos­pre­cian por hablar en un idioma, u otro, por reco­no­cer en las tra­di­cio­nes una parte de tus deseos y las dudas que sur­gen cuando tie­nes que ejer­cer los dere­chos ciu­da­da­nos, desde el con­ven­ci­miento de que las viven­cias emo­cio­na­les deben for­mar parte de la esfera pública, son fac­to­res que expli­can la cons­truc­ción de una iden­ti­dad subjetiva.

Por eso desde la Geo­gra­fía, y más par­ti­cu­lar­mente desde la Per­cep­ción, así como desde las Repre­sen­ta­cio­nes Socia­les, nos hemos esfor­zado en cons­truir tareas didác­ti­cas para ense­ñar. Pre­ten­de­mos ayu­dar a pen­sar en la com­ple­men­ta­rie­dad de visio­nes sub­je­ti­vas con datos pro­ce­den­tes de las expre­sio­nes del poder terri­to­rial, que se ejerce a tra­vés de la legis­la­ción. El entre­cruce de espa­cios sub­je­ti­vos y con­ce­bi­dos es lo que genera un ámbito de espa­cios de rela­ción, ese que fun­da­menta el espa­cio com­plejo de la Geo­gra­fía de la Per­cep­ción. Y eso se prac­tica muy poco en nues­tras cla­ses, por más que se aluda al cons­truc­ti­vismo, a las inte­li­gen­cias múl­ti­ples o a un modelo sociocrítico.

20170069_Figura 1

Por­que esta pers­pec­tiva de edu­ca­ción en los espa­cios com­ple­jos nos obliga a ana­li­zar los pro­ce­sos his­tó­ri­cos que deter­mi­nan estos hábi­tos per­so­na­les, que son más poten­tes que las ideo­lo­gías, como bien se explica desde la Psi­co­lo­gía social.

Por eso cuando a un pue­blo, como Cata­lunya, le hur­tan su modelo de con­vi­ven­cia por una deci­sión de seis frente a cua­tro magis­tra­dos del Cons­ti­tu­cio­nal que ampu­tan un texto legal, la sen­sa­ción de impo­ten­cia es grande. Dicho docu­mento había sido apro­bado por más de dos ter­ce­ras par­tes de su par­la­mento (120 votos en sesión del 30 de sep­tiem­bre de 2005) y des­pués tam­bién por las Cor­tes espa­ño­las el 30 de marzo de 2006 (189 frente a 154 votos) y final­mente rati­fi­cado en refe­rén­dum con el 73% de los votos (18 de junio de 2006).

Es evi­dente que la deci­sión del año 2010 tiene unos agen­tes: los magis­tra­dos del Cons­ti­tu­cio­nal. Pero hay una volun­tad pre­via de un par­tido, que había sido el único que se había negado a alcan­zar un acuerdo de apro­ba­ción en 2005: el Par­tido Popu­lar. Y tam­bién es evi­dente que el motor de dicha modi­fi­ca­ción esta­tu­ta­ria viene de la acción del Par­tido Socia­lista Obrero Espa­ñol, capi­ta­nea­dos por Pas­qual Mara­gall y José Rodrí­guez Zapa­tero. Un momento polí­tico en el que el Par­tido Popu­lar reco­gía fir­mas para rea­li­zar un refe­rén­dum sobre el Esta­tut en toda España; un ins­tru­mento legal que hoy demo­ni­zan y que antaño se soli­ci­taba para frus­trar el pro­ceso catalán.

Por todo ello en la edu­ca­ción ciu­da­dana debe­mos saber seña­lar los res­pon­sa­bles his­tó­ri­cos del pro­blema actual. Pues hay algo que la his­to­ria nos enseña: des­ma­de­jar los enre­dos de las memo­rias pre­sen­tes en la expli­ca­ción de los hechos del pasado. Y hay algo más que nos enseña la Geo­gra­fía: reco­no­cer las iden­ti­da­des plu­ra­les de una socie­dad en la coli­sión de intere­ses de los espa­cios per­so­na­les. Con­fun­dir memo­ria e his­to­ria, iden­ti­dad per­so­nal y repre­sen­ta­ción social de un pue­blo es algo pro­pio de la igno­ran­cia o de la super­fi­cia­li­dad. El tiempo de la edu­ca­ción es más pro­fundo, pues afecta a las raí­ces huma­nas, a las reac­cio­nes emo­cio­na­les ante los estí­mu­los cere­bra­les que se con­vier­ten en palabras.

Las pala­bras son las armas de una ciu­da­da­nía cons­ciente y res­pon­sa­ble. Callar es más pro­pio de cobar­des que de pro­fe­so­res com­pro­me­ti­dos con la ciu­da­da­nía. En el Geo­foro Ibe­roa­me­ri­cano hemos mos­trado la impor­tan­cia de un arma car­gada de futuro: la par­ti­ci­pa­ción de per­so­nas en deba­tes ciu­da­da­nos. Y con este artículo pre­tendo tam­bién crear un lugar para encon­trar argu­men­tos sobre la expli­ca­ción con­flic­tiva del presente.

Para mayor infor­ma­ción:

SOUTO GONZÁLEZ, Xosé M. Espa­cio geo­grá­fico y edu­ca­ción para la ciu­da­da­nía, Didác­tica Geo­grá­fica, 2007, nº 9, p. 11–31.

Xosé Manuel Souto Gon­zá­lez es pro­fe­sor titu­lar de Didác­tica de las Cien­cias Socia­les en la Uni­ver­si­tat de València.

Ficha biblio­grá­fica:

SOUTO GONZÁLEZ, Xosé M. Cuando es pre­ciso ejer­cer la ciu­da­da­nía desde la argu­men­ta­ción edu­ca­tiva. Geo­cri­tiQ. 5 de noviem­bre de 2017, nº 346. [ISSN: 2385–5096]. <http://www.geocritiq.com/2017/11/cuando-es-preciso-ejercer-la-ciudadania-desde-la-argumentacion-educativa/>

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